sábado, 28 de março de 2009

A Cigarra e a Formiga


A legendária lenda da esforçada formiga e da despreocupada cigarra assume na actualidade outros contornos e parece-me muitas vezes que no final a formiga ainda é gozada pela cigarra que vive às suas custas uma vida sem stresses e plena de facilidades.


Não era tão revoltada como agora, provavelmente são efeitos da idade mas confesso que me irritam e despertam sentimentos menos simpáticos todas as cigarras da sociedade:
Os que vivem à custa do rendimento mínimo garantido sem se esforçarem para voltar a trabalhar; os que vivem à custa dos pais até terem idade de já serem quase avós; aqueles que sobem nas empresas à custa dos colegas que realmente trabalham, fazendo-se valer apenas de esquemas de comunicação e graxa; aqueles com lucros enormes e que fogem aos impostos e/ou têm os empregados em situações contratuais precárias; os políticos corruptos; aqueles que reiteradamente roubam /furtam e saíem em liberdade; aqueles que estão nas prisões sem ter de trabalhar para comer; e por aí fora....


Irrita-me que na vida real as histórias não tenham o desfecho e os ensinamentos morais das fábulas de La Fountain ... não é quem trabalha e é esforçado que tem reconhecimento/sucesso mas mais os que pelas suas capacidades "chico espertenses" sabem contornar as coisas e levar bem a água ao seu moinho.


domingo, 22 de março de 2009

Stress

Só trabalhei um dia na semana passada mas desgastou-me por cinco ... Uma empresa em mudança de procedimentos (leia-se desorganização pegada), colegas amuadas, chefes cansados e sem tempo para prestar esclarecimentos do que quer que seja, "inbox do Outlook" e "Calendar" a abarrotar pelas costuras, pilhas de correio por arquivar e dar encaminhamento devido, imensas coisas para fazer (muitas das quais sem que entenda o que é pretendido), prazos a cumprir, ...
Decididamente não era este o emprego que sonhava quando em miúda me perguntavam o que queria ser quando fosse grande.

Dei o meu máximo para despachar algumas coisas (até trouxe papeis para ler no fds que nem lhes peguei) mas parece uma guerra perdida à partida, até porque no intimo me sinto cansada e sem forças para lutar contra este sistema ...

Na 5ª feira tinha ido a uma consulta de medicina geral com uma médica que não conhecia de parte nenhuma, que perante as minhas queixas de cansaço, me pergunta com a ligeireza própria de quem tem de despachar um questionário sobre nível de depressão que apareça numa qualquer revista lúdica, se: "me considero bonita" // "me considero feliz" // "gosto da vida que tenho" // "quais as actividades que faço para me divertir quando não estou a trabalhar" // " me apetece sair" ... Enfim lá respondi com a natureza possível e o mais evasivamente que a minha capacidade do politicamente correcto permitiu, ansiando que aquilo fosse o mais rápido possível e que ela se decidisse enfim a passar os necessários exames e análises de rotina (sim porque foi só para isso que lá fui não para psicologias da tanga).

O facto é que considero que não estou deprimida, apenas desejava não viver num mundo tão acelarado e em constante mutação, poder ser eu e ter tempo para mim e para quem quero bem, que os dias da semana não passassem a correr e só fossem feitos de trabalho, não ter de aturar cinismos e más educações, poder dar o murro na mesa e fazer-me ouvir.


Uma nova semana começa amanhã e já me sinto invadida de um sentimento que nunca mais é Sábado ... é isso Sra Doutora o meu problema!!! Tem aí um talão do euros milhões premiado que me queira dar?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Filmes que Tocam

Nestes 4 curtos dias de férias sempre deu para descansar, apanhar um solzinho, fazer umas necessárias arrumações e ver uns DVD's.

De todos os que vi, destaco um: "Seven Pounds" ("7 vidas"). Depois de ter chorado imenso com a história verídica de sacrifício e determinação interpretada por Will Smith em "Pursuit of Happyness" ("Em Busca da Felicidade), este deixou-me completamente rendida ao desempenho do actor neste tipo de registo mais dramático e apelativo à sensibilidade.

"7 pounds" é tocante pela mensagem que passa, de que num mundo povoado de tanta competição e egoísmo, há ainda pessoas genuinamente boas e capazes de abdicar de tudo em favor dos outros.

Enfim são dois bons filmes que recomendo a quem seja sensível e não tenha vergonha de chorar.

Continuo sem entender porque filmes com mensagens tão ricas como estes, não são sequer nomeados para os Óscares ... Afinal as politiquices estão mesmo por todo o lado!!!

sábado, 14 de março de 2009

Falinhas Mansas

Quando somos pequenos, os nossos pais eram os nossos heróis: eles sabiam sempre tudo, tinham sempre razão, descobriam sempre tudo o que nós tentávamos esconder, resolviam todos os problemas que achávamos insuperáveis, eram incansáveis e tinham sempre um colinho generoso e um abraço meigo à nossa espera quando precisávamos.

Mais tarde na adolescência pomos tudo em causa e discordamos com tudo o que dizem. Depois quando nos tornamos adultos (na generalidade dos casos) já os vemos com todos os seus defeitos mas também somos capazes de os admirar por tudo o de bom e único que são e sempre serão para nós.

O meu pai sempre gostou de me transmitir muitos valores e ensinamentos, alguns dos quais ainda hoje sigo e outros que nem tanto.
Uma das coisas que sempre me disse foi para desconfiar das pessoas com falinhas exageradamente meigas e que nos parecem pôr no coração. Com isto ele não se refere às pessoas doces de natureza, de voz calma e meiga mas aquelas do género: "Ó filhinha isto, filhinha aquilo"/ "Ó meu xuxuzinho"/ e todo aquele show "bibidibidi"... tão a ver o género, não estão?
Pois bem confesso que esta era das coisas que não concordava com ele, porque não achava nenhuma base fidedigna nessas palavras para generalizar assim...

Aprendi com a vida que afinal estas palavras do meu pai não são assim tão descabidas.

Tenho uma colega assim que sempre pareceu pôr-me no coração, chegando mesmo a dizer: "se tivesse uma filha, queria que fosse como a filhinha!!". Pois bem quando as circunstâncias mudam é a primeira nas costas a espetar a farpa ... Triste como as pessoas conseguem ser tão cinicas e falsas!!!

Estou de férias com os meus dois amores mas não consigo desligar dos problemas e do arraial de intrigas e venenos que essa colega disseminou...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mentes Assassinas

Há meses fiquei horrorizada com a notícia de um jovem (penso que na Bélgica) que entrou numa creche, foi direito ao berçário e esfaqueou até à morte os bebés que lá se encontravam bem como a educadora que o tentou travar.


Estava a almoçar e já não consegui comer mais, as lágrimas começaram a escorrer cara abaixo só com o pensamento de como seria para os pais daqueles bebés ouvir brutal notícia. Por ser mãe de um bebé de 22 meses essas notícias abalam-me ainda mais e nem consigo imaginar como se pode ter robustez psicológica para lidar com tremendo choque destes ... fico aterrorizada por pensar que tantas pessoas tresloucadas andam por aí e que posso não estar lá para o proteger em todas as situações.


Hoje foi numa escola da Alemanha semelhante situação ... o que pode passar-se numa mente destas??? Como pode um ser humano matar tantas pessoas inocentes com a mesma descontracção como se esmaga um carreiro de formigas??

Porquê é que estas pessoas não se suicidam e acabam com os seus problemas, livrando também o Mundo de tanta ruindade, ao invés de criar tanta angústia e dor para centena de outras??


Não fosse isto tão horrível já por si, ainda acresce o facto comprovado que estes fenómenos divulgados massivamente pelos médias, gerarem novos casos semelhantes.


Deus nos proteja sempre a todos de estarmos no lugar errado à hora errada .... pois definitivamente é disso que se trata porque explicações lógicas e racionais nunca as encontraremos...

domingo, 8 de março de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Desafio

A Nade do blog "Orgulho do Ser" , fez-me aderir a esta moda dos selos que até agora era coisa que nunca me tinham repassado. O selo que ganhei foi este:

Mais feminino não podia ser e foi dado com o objectivo de homenagear os blogs que ela considera “Inteligentes e Femininos”. Obrigada Nade pela destinção :-)

Como não há bela sem senão este selo trás agregado um desafio:
* Escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos: vida, cinema, literatura, viagem, amor e sexo;
E tem também inerentes as seguintes regras:
* Convidar seis colegas de blogs que achemos realmente feminino e inteligente;
* Linkar o blog que te convidou; ´
* Postar as regras para que outros a repassem;
* Exibir o selo do Papo Calcinha.

Então vamos cá ver como é que eu me desenrasco desta ;-)

VIDA: "Viver não custa o que custa é saber viver" (citado frequentemente pelo sr meu pai embora desconheça se é de sua autoria);
CINEMA: "Nós ganhamos! 1000 pontos para rir como loucos!" - A Vida é Bela.
Adorei este filme e a maneira única e tocante como um episódio tão negro da história da humanidade foi retratado;
LITERATURA: "Amar a leitura é trocar horas de fastio por horas de inefável e deliciosa companhia."(John F. Kennedy)
VIAGEM: Cito o conhecido slogan "Ir é o melhor remédio" ... se pudesse todos os fins-de-semana ia para um lugar onde nunca estivesse estado. O único problema de viajar é ter de desfazer as malas quando regressamos ...
AMOR: Cito a famosa frase do velhinho Camões: "O amor é um fogo que arde sem se ver".
SEXO: Para mim só faz sentido como complemento do amor, nem o consigo imaginar de outra forma.

Como penso que não tenho 6 leitoras repasso para todas que aqui passam.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Só comigo!!!

Estava eu no computador de um colega a ajudá-lo num trabalho, eis se não quando enquanto teclava, uma ponta de um dossier deve inadvertidamente ter tocado numa tecla (isto presumidamente porque ninguém tem a certeza de como as coisas se sucederam) e o écran ficou negro durante breves segundos, como se o tivessem desligado.

Nada de especial e que já não vos tenha acontecido devem vocês estar a pensar, pois bem o bizarro aconteceu depois quando a imagem do écran retorna.

É que ficou a imagem invertida 180º, isto é, ficou tudo literalmente de pernas para o ar. O pior é que até o rato também ele ficou todo "upside down", ou seja, se queríamos que fosse para a esquerda tinhamos que o arrastar para a direita, se queríamos que fosse para cima tínhamos de o arrastar para baixo... estão a ver a encrenca não estão? Uma autêntica situação de surrealismo!

Desfiz-me em desculpas e quanto mais tentava arranjar forma de repor a normalidade, pior ficava, pois já estava a começar a ficar tonta de tanto pôr a cabeça ao contrário.

Quando chamei o colega da informática, ele pensou que estávamos a gozar com ele e que aquilo era um printscreen invertido ... só acreditou quando lhe passei o rato para as mãos. Exclamou: "Olha isto é que eu nunca tinha visto!".
Quando o responsável de informática me disse isto, é que definitivamente pensei que o caso não estava fácil! :-)

O que vale é que a internet tem solução para tudo, pois há sempre algum fórum onde alguém esclarece outro alguém que já passou por situação idêntica e por fim lá se conseguiu repor a normalidade. Mas convenhamos também para quê é que o Windows há-de ter um raio de shortkey destes ... só se houver quem goste de trabalhar de pernas para o ar, o que convenhamos não deve ser cómodo nem para o maior dos estrábicos?!? Há com cada uma!!

Para finalizar: Depois disto acho que vai ser tarde que o meu colega volte a querer a minha ajuda, em especial quando estiver atrapalhado e com falta de tempo ....


segunda-feira, 2 de março de 2009

Como atrás de uma coisa má vem sempre uma coisa boa...

Na sequência da penosa tarefa relatada no post anterior, descobri que tinha na arca um pacote de massa quebrada expirado desde meados de Fevereiro.

Pensando no que podia fazer com ela, desencantei esta receita de tarte de pastel de nata. O segundo problema é que descobri que também a lata de leite condensado que tinha, estava expirada desde Novembro de 2008...

O terceiro problema que tudo isto levantou foi a constatação da urgência de programar uma organização e vistoria por prazos de validade à dispensa....


Enfim lá arrisquei e fiz a tarte, que até não ficou com mau aspecto e não estava má de todo (embora confesse que fiquei desiludida pois o creme em nada tem haver com os dos pastéis de nata):


Agora só espero é que não surja como 4º problema uma diarreia colectiva cá em casa :-)))

Abundância/desperdício vs reverso da medalha

Este Domingo tive de fazer uma tarefa que é imperativa fazer cá em casa, uma vez por ano: descongelar a arca frigorífica!

Nunca sou eu a escolher de livre vontade a data, é sempre o dito electrodoméstico que dita o momento. Desta vez quis armar-me em teimosa e tentei ao máximo adiar esta tarefa, pela qual confesso não nutrir especial estima.
Primeiro uma das três gavetas começou por ficar imóvel e colada pelo gelo: a gaveta de cima onde guardo os croquetes, rissóis, pastéis de bacalhau e gelados ... Menos mal foi pretexto para não comer coisas altamente calóricas por algumas semanas. Contudo, a camada de gelo continuou a crescer até já não dar para fechar bem sequer a porta... Sem alternativa lá tive mesmo de me render ás evidências!

Como reza o ditado, "o que tem de ser tem muita força", lá despachei o miúdo para os avós, arregacei as mangas, pus um panelão de água a ferver (para ajudar a derreter o gelo com o vapor), pus turcos no fundo para evitar o dilúvio pela cozinha fora e fui esperando pelo degelo.
Enquanto esperava fui tentando arrumar os alimentos nas gavetas e aí começa a história que aqui quero contar... É uma autêntica vergonha, e em tempos de crise como os que correm, é quase um crime o que fiz. Tive de deitar mais de metade das coisas para o lixo pois ou estavam já passadíssimas da validade (algumas tinham validade ainda de 2007!!!) ou estavam completamente queimadas pelo gelo que se tinha formado no interior da embalagem.

Isto fez-me tomar algumas decisões:
- Não aceitar as doses industriais que muitas vezes a minha mãe me quer dar porque depois invariavelmente a maioria é para estragar e assim mais valia lá ficar por casa dela que sempre são mais bocas a comer;
- Acondicionar as coisas em sacos hermeticamente fechados ... item a pôr sem falta na próxima lista de compras;
- Gerir melhor a disposição dos alimentos por prazo de validade e garantir vistorias mais sistemáticas.

Em casa dos meus pais raramente haviam desperdícios, aliás fruto desta educação, ainda hoje tenho por costume deixar o prato sem quaisquer restos no final de uma refeição pelo que esta estragação foi para mim um drama.


Por outro lado, resultado da minha profissão e também de vivências da minha vida pessoal, tenho conhecimento de muitas empresas de diversos ramos que sistematicamente realizam abates de inventário de coisas que estão em perfeitas condições só com pequenos "handicaps" que não comprometem de forma alguma o bom estado ou segurança do produto... Prefiro não me comprometer citando exemplos claros mas só para dar ideia do que digo: só por se ter mudado um logótipo ou criado uma embalagem com novas cores, há stocks dentro da validade que vão em quantidades massivas para destruição; só por alguém ter descolado um pack de 4 e só levado uma embalgem (ainda que tendo pago também os restantes sem se aperceber), os outros 3 vão para quebra e entenda-se destruição; só porque durante o transporte ou armazenamento algumas embalagens ficaram ligeiramente amachucadas ainda que nada tenha acontecido ao contéudo, vai também para o lixo...

Assisto a isto todos os meses e acreditem há coisas que corta o coração até por saber que iam fazer bebés e crianças tão felizes. Por tudo isto me sinto tão revoltada com estas normas da ASAE ou com politiquices de multinacionais que preferem deitar para o caixote ao invés de ajudar tanta gente que passa necessidades.

E depois cruzo-me frequentemente com peditórios à porta dos hipermercados a pedir ajuda à calejada e necessitada classe média, quando era tão simples e massivamente mais eficaz pedir ás empresas que colaborassem com a responsabilidade social que tanto apregoam mas não cumprem na prática...

Desculpem este testamento mas ao descongelar a arca enquanto partia a colher de pau ao tentar quebrar o gelo, descarreguei esta revolta e lembrei-me daqui a publicar...

domingo, 1 de março de 2009

Na perspectiva de uma criança

Li hoje noutro blog este texto lindo que apesar de contar uma história triste é lindo e grandioso pela mensagem que passa.

Tive duas situações na minha infância em que pensei que ia morrer: um quase afogamento na praia e outra na consequência de um grave quadro clínico de deficiência imunitária e anemia extrema.


Em ambas as situações o que mais me afligiu e tocou foi sempre o sofrimento e angustia dos meus pais e nem tanto o pensar no fim da minha vida e existência.

Soube anos mais tarde que o nascimento do meu irmão foi em parte para tentar que houvesse uma possibilidade de doador compatível de medula óssea se o meu caso acabasse por se tornar numa leucemia ... A minha mãe que após anos de tratamentos para voltar a engravidar nunca tinha tido sucesso, finalmente alcançou essa bênção, ainda que por outro lado vivesse simultaneamente um drama e chorasse ás escondidas quando os médicos lhe davam a entender o pior para o meu caso. Tocou-me muito ver a minha mãe a chorar compulsivamente enquanto as enfermeiras me levavam para outra sala cheia de brinquedos, porque até aquele dia nunca a tinha visto derramar uma lágrima sequer... tinha 8 anos mas entendia muito mais do que os adultos pensavam!!

A minha história felizmente teve um final feliz (não sei ainda se por se ter recorrido em simultaneo à medicina alternativa) mas tenho a certeza que foi a responsável por me ter tornado adulta muito precocemente e ter uma atitude muito protectora e paternalista relativamente aos meus pais.


Uma vez disse pelo telefone a uma chata vendora de time-sharing (daqueles telefonemas insistentes e estúpidos a dizer que ganhámos uma vivenda em Cascais e que nos bastava ir levantar o prémio não sei onde), que desistisse e que não valia a pena ligar mais tarde porque os meus pais eram pessoas ocupadas, que trabalhavam muito e que tinham mais coisas com que se preocupar ... ao que ela me respondeu: "Mas afinal quem é que é a filha? Nunca vi uma criança que fosse tão protectora em relação aos pais"!! Enfim lá ficou sensibilizada e me desamaparou a loja. :-)