Apesar de termos feitios muito diferentes e que por vezes chocam, a verdade é que a adoro, admiro e lhe sou infinitamente grata por me ter dado a vida e por me ter orientado e ajudado a ser quem eu sou hoje. É tão fácil escrever isto mas não sei se alguma vez ela terá noção do quanto eu sinto isto e se lho consigo demonstrar verdadeiramente na vida quotidiana...
É das pessoas mais simples, francas, honestas, trabalhadoras, energéticas, corajosas e com mais garra que eu alguma vez conheci. Recentemente o meu pai disse-me em tom de crítica (com a frieza que só ele sabe tão bem aplicar) que nunca chegarei aos calcanhares dela como mãe ... aceitei sem refutar porque sei que por muito que tente nunca a conseguirei de facto igualar. Tenho muitos familiares por perto que me ajudam tanto, ando sempre de carro e mesmo assim sinto-me sempre cansada. Ela sem ninguém por perto, perdendo horas no desgaste de transportes públicos tinha sempre energia para tudo e mais alguma coisa. Ainda hoje assim é, apesar de todos os problemas de saúde que a obrigaram a reforma por invalidez, tem mais energia que eu com 31 anos.
Na minha cabeça e no meu coração estão para sempre gravadas muitas memórias de infância: de a ver sempre a fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo sem ter tempo para se sentar ao pé de nós no sofá; de a ver a correr maratonas para conseguir apanhar o comboio; do ir-me buscar à ama todos os dias às 21:30h e depois ainda me ir fazer o jantar; do nunca confessar estar cansada; dos turnos da noite que por vezes fazia e das saudades que tinha dela nessas alturas; do doce beijinho de boas noites e do desejar "sonhos cor-de-rosa" enquanto me afagava os lençóis; do prescindir de comer alguma coisa para deixar para mim por saber o quanto eu gostava; dos ralhetes que pareciam disco riscado mas que eram mesmo só isso e passavam ao cabo de 5 minutos (enquanto que eu ficava toda sentida e amuada como caranguejola sensível que sou); dos brinquedos que me comprava na praça às escondidas do pai e sempre realçando que tinha que optar por apenas um pois o dinheiro custava a ganhar e na vida não podemos ter tudo o que queremos...
Enfim tantas memórias de uma vida de sacrifício que ela e o meu pai levaram para que nunca faltasse nada a mim e ao meu irmão, esquecendo-se muitas vezes dela própria e de se cuidar mais (o que ainda hoje acontece). Não deixa de ser curioso como os meus pais com poucos estudos, sem nunca terem lido revistas de psicologia infantil ou estudos de pediatria, souberam incutir os valores e os princípios de educação e civismo que muitos doutorados que por aí abundam não têm para si quanto mais para passarem aos filhos...
Se um dia o Euro Milhões me saísse, ela seria uma das pessoas com quem mais queria repartir e proporcionar tudo o que de melhor o dinheiro pudesse trazer!!!
Muitos Parabéns mãe por isto e por tudo mais que ficou por dizer ...