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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Proporcionalidade Inversa

Não deixa de ser curioso constatar que recentemente há medida que o número de comentários diminui, aumenta a minha vontade de escrever.


Sinto que esta necessidade de escrever traduz a necessidade de desabafar porque ando a passar uma fase menos boa no trabalho e infelizmente não consigo pôr de lado esses problemas ao chegar a casa.


Infelizmente acho que quanto mais se remexe na .... pior ela cheira e hoje o meu final de dia foi um exemplo disso mesmo.


Cheguei pois à conclusão que ou crio um outro blog para falar dessas coisas ou aprendo a guardá-las interiormente, até porque não tem nada a ver andar a falar de coisas tristes num blog criado e pensado para falar do desenvolvimento do Miguel que é simplesmente a melhor coisa que tenho nesta vida.


Posto isto podem voltar a comentar! Vá não se acanhem :-))))

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Desabafos

Obrigada a quem comentou o meu último post e de alguma forma se preocupou. Sei que quem tem um blog privado não pode esperar ter muitos comentários mas admito que gosto tanto de os receber e sentir que não estou só para aqui a escrever monólogos.

Pois que consegui ser de alguma forma poupada a ter de estar na terrível reunião que todo o departamento teve direito a ouvir de plateia do outro lado do corredor (tamanho era o volume da discussão à porta fechada). Contudo, hoje ao oferecer de forma voluntária ajuda num caso concreto, para evitar que a colega incorra em novos enganos e pensando que me ia agradecer, levei com uma rebocada daquelas que só perdoamos a quem se tem mesmo que se dar um desconto e dos grandes porque não joga com o baralho completo...

Sinto-me cansada e desmotivada e só vos digo que isto de se ser "maluco" até compensa!!! Qualquer outra pessoa na situação dela teria de ouvir que era incompetente e provavelmente até corria o risco de ficar sem trabalho, pois a pessoa em concreto além de ser tratada nas palminhas tem uma escrava (aqui a "je") para reconciliar anos de lançamentos incorrectos e tentar acertar a tremenda bosta que para ali está . Segundo o meu chefe este trabalho é agora prioritário, pelo que o meu trabalho normal fica em segundo plano e a acumular... o que calha sempre bem.


Depois de semanas intensas a enviar currículos e a ir a entrevistas que depois nem sequer têm a decência de comunicar o resultado e se já passei ou não à história ... fiz uma pausa porque cheguei à conclusão que ainda não é tão cedo que uma nova oportunidade se avista.
Bolas, lá se vai aquela ideia que tinha feito que talvez o ano novo pudesse trazer vida nova ... também logo tinha que vir agora esta crise a atrapalhar ainda mais as coisas!!!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Os nossos saudosos amigos de 4 patas

Depois do post anterior fiquei triste e nostálgica e começei a pensar que um pouco da minha história se está a perder. Começa a haver muita coisa que apenas está viva na minha lembrança e nas histórias que um dia heide contar ao Miguelinho e isso faz parte da vida mas é sempre difícil de aceitar.

Desde há uns tempos atrás que imensos dos nossos (meus/dos meus pais, do meu marido/dos meus sogros) animais de estimação têm vêm vindo a desaparecer. Isso deixa-me tão triste pois eles ocupavam um lugar tão especial no nosso coração e torna-se díficil ver a casa sem eles. Imaginava ainda em grávida estar no quintal a dar papa ao Miguel e dizer vá esta é para o "Riskinhas", esta é para o "Dinky" e ficava feliz só de imagina-lo a correr e a brincar com eles.

- O último a desaparecer foi o cão dos meus sogros o "Fred" (raça: Saimoedo) no final de Agosto. Para além de ser um cão hiper-activo e brincalhão, era super inteligente e companheiro. Tinha a particulariedade de só comer se estivessemos ao pé dele, adorar ir buscar molas de roupa e venerar a dona. Como ainda não foi há muito tempo que desapareceu deixo aqui o apelo para se alguém o viu aqui deixar comentário.


(Fred com a sua aparência normal)



(Fred tosquiado conforme estava quando desapareceu)




(Uma filhota do Fred igualzinha a ele) (Outras duas lindas filhotas doFred)

- Antes em meados de Junho tinha desaparecido o meu querido Dinky. Particularidades: detestava banho e tudo o que tivesse haver com água (alguidares, esponjas, mangueiras, champoos, garrafas, etc...), adorava andar na vadiagem e tinha umas certas tendências suicidas pois adorava desafiar cães de grande porte (quando o caso estava mal parado desatava a correr mas algumas vezes não correu o suficiente e apanhou grandes sustos).


(O meu saudoso Dinky)


- Em Dezembro não me lembro se antes ou depois do Natal (estava eu grávida de 4 meses), recebo a triste notícia que o "Riskinhas" tinha morrido. Foi de todas as perdas a que mais me chocou e me fez chorar. Foi muito triste pois ele tinha andado mesmo muito doente uns meses antes e melhorou imenso com os remédios e tratamentos do veterinário. Estranhamente depois desse episódio engordou e passou a ser um gatinho muito mais redondinho e anafado tipo "Garfield" mas agora olhando para trás começo a perceber que esse aumento de peso não era assim tão positivo como pensávamos.

Particularidades do Riskinhas: era dócil como um cão, seguia os donos para o supermercado e esperava por eles debaixo de um carro até que saíssem e depois lá os acompanhava de volta para casa; adorava passar as tardes a dormir no tapete da porta da entrada e quando alguém entrava no jardim murmurava num misto de doçura e preguiça: "miaaaauuuuuuuuu" (como quem diz "olá, então por cá?", adorava passar tardes ao meu colo e quando estava assim no calorzinho e feliz babava-se imenso e fazia ron-ron ... foi um gato que deixa saudades e um vazio e até ao meu pai que dizia não gostar de gatos não resistiu aos encantos deste amiguinho único.

(O meu doce e meigo Riskinhas)

- Ainda antes de estar grávida desapareceu o gato da minha cunhada: o Pablo. Uns dias depois viemos a saber que morreu atropelado.

(Pablo em pequenino)

Todos deixam boas memórias e muita saudade. Que triste que fico por pensar que o Miguelito já nunca vai poder brincar com eles .... Restam-nos ainda alguns bons amiguinhos de estimação que espero bem não perder tão depressa pois já começo a ter dificuldades em lidar com estes sentimentos de perda.

sábado, 15 de setembro de 2007

Adeus Tio João

É suposto que um blog de bebé/criança seja alegre, cheio de cor e com posts repletos de episódios alegres e bonitos. Por isso hesitei bem antes de publicar este post mas fiz-o porque pensando bem, e até que o Miguelito tenha idade para escrever e ir continuando a engrossar este blog, este acaba também por ser um diário meu com a minha perspectiva de ver o mundo e as coisas que nos acontecem. A vida nem sempre é cor-de-rosa e não podemos esconder das crianças que há um lado cinzento mas devemos com muito amor e bom senso prepará-las para aprenderem a lidar com isso e dar-lhes armas para saberem superar a dor da perda.
Ontem morreu o meu Tio João e hoje foi o seu enterro. Lamentavelmente não chegou sequer a conhecer o seu único sobrinho-neto e na hora do adeus isso ainda ajudou a que me sentisse mais triste.
Este meu tio sempre foi um solibatário por excelência, com um feitio muito difícil e muito pouco dado a simpatias e palavras doces. É daqueles casos em que não sei se foi a vida que o fez ser assim uma pessoa só e amarga ou se foi a sua maneira de ser a responsável pela vida que teve. Em qualquer caso e ainda que com as incompatibilidades e divergências que nos afastavam, este era o meu único tio paterno e guardo boas recordações dele na minha infância.
Hoje na hora do funeral enquanto me despedia e me relembrava dele viram-me algumas memórias de menina e são essas que vou procurar guardar para sempre dele: a tartaruga a corda que me deu e que era o meu brinquedo predilecto, a minha primeira (e única) bicicleta, as fotografias tolas que tirava ao céu e aos aviões e que por sua vez tiravam o meu pai do sério pois serviam apenas para desperdiçar rolo, as suas visitas sempre tão inesperadas quanto espaçadas entre si, as idas ao café e os chocolates que lá me comprava, as histórias dos tempos em que ele e o meu pai eram pequeninos e viviam com as dificuldades típicas de um país marcado pela ruralidade e regime ditaturial com a agravante ainda de serem órfãos de mãe.
Tio que tenhas enfim o eterno descanso e paz.