quarta-feira, 4 de março de 2009

Só comigo!!!

Estava eu no computador de um colega a ajudá-lo num trabalho, eis se não quando enquanto teclava, uma ponta de um dossier deve inadvertidamente ter tocado numa tecla (isto presumidamente porque ninguém tem a certeza de como as coisas se sucederam) e o écran ficou negro durante breves segundos, como se o tivessem desligado.

Nada de especial e que já não vos tenha acontecido devem vocês estar a pensar, pois bem o bizarro aconteceu depois quando a imagem do écran retorna.

É que ficou a imagem invertida 180º, isto é, ficou tudo literalmente de pernas para o ar. O pior é que até o rato também ele ficou todo "upside down", ou seja, se queríamos que fosse para a esquerda tinhamos que o arrastar para a direita, se queríamos que fosse para cima tínhamos de o arrastar para baixo... estão a ver a encrenca não estão? Uma autêntica situação de surrealismo!

Desfiz-me em desculpas e quanto mais tentava arranjar forma de repor a normalidade, pior ficava, pois já estava a começar a ficar tonta de tanto pôr a cabeça ao contrário.

Quando chamei o colega da informática, ele pensou que estávamos a gozar com ele e que aquilo era um printscreen invertido ... só acreditou quando lhe passei o rato para as mãos. Exclamou: "Olha isto é que eu nunca tinha visto!".
Quando o responsável de informática me disse isto, é que definitivamente pensei que o caso não estava fácil! :-)

O que vale é que a internet tem solução para tudo, pois há sempre algum fórum onde alguém esclarece outro alguém que já passou por situação idêntica e por fim lá se conseguiu repor a normalidade. Mas convenhamos também para quê é que o Windows há-de ter um raio de shortkey destes ... só se houver quem goste de trabalhar de pernas para o ar, o que convenhamos não deve ser cómodo nem para o maior dos estrábicos?!? Há com cada uma!!

Para finalizar: Depois disto acho que vai ser tarde que o meu colega volte a querer a minha ajuda, em especial quando estiver atrapalhado e com falta de tempo ....


segunda-feira, 2 de março de 2009

Como atrás de uma coisa má vem sempre uma coisa boa...

Na sequência da penosa tarefa relatada no post anterior, descobri que tinha na arca um pacote de massa quebrada expirado desde meados de Fevereiro.

Pensando no que podia fazer com ela, desencantei esta receita de tarte de pastel de nata. O segundo problema é que descobri que também a lata de leite condensado que tinha, estava expirada desde Novembro de 2008...

O terceiro problema que tudo isto levantou foi a constatação da urgência de programar uma organização e vistoria por prazos de validade à dispensa....


Enfim lá arrisquei e fiz a tarte, que até não ficou com mau aspecto e não estava má de todo (embora confesse que fiquei desiludida pois o creme em nada tem haver com os dos pastéis de nata):


Agora só espero é que não surja como 4º problema uma diarreia colectiva cá em casa :-)))

Abundância/desperdício vs reverso da medalha

Este Domingo tive de fazer uma tarefa que é imperativa fazer cá em casa, uma vez por ano: descongelar a arca frigorífica!

Nunca sou eu a escolher de livre vontade a data, é sempre o dito electrodoméstico que dita o momento. Desta vez quis armar-me em teimosa e tentei ao máximo adiar esta tarefa, pela qual confesso não nutrir especial estima.
Primeiro uma das três gavetas começou por ficar imóvel e colada pelo gelo: a gaveta de cima onde guardo os croquetes, rissóis, pastéis de bacalhau e gelados ... Menos mal foi pretexto para não comer coisas altamente calóricas por algumas semanas. Contudo, a camada de gelo continuou a crescer até já não dar para fechar bem sequer a porta... Sem alternativa lá tive mesmo de me render ás evidências!

Como reza o ditado, "o que tem de ser tem muita força", lá despachei o miúdo para os avós, arregacei as mangas, pus um panelão de água a ferver (para ajudar a derreter o gelo com o vapor), pus turcos no fundo para evitar o dilúvio pela cozinha fora e fui esperando pelo degelo.
Enquanto esperava fui tentando arrumar os alimentos nas gavetas e aí começa a história que aqui quero contar... É uma autêntica vergonha, e em tempos de crise como os que correm, é quase um crime o que fiz. Tive de deitar mais de metade das coisas para o lixo pois ou estavam já passadíssimas da validade (algumas tinham validade ainda de 2007!!!) ou estavam completamente queimadas pelo gelo que se tinha formado no interior da embalagem.

Isto fez-me tomar algumas decisões:
- Não aceitar as doses industriais que muitas vezes a minha mãe me quer dar porque depois invariavelmente a maioria é para estragar e assim mais valia lá ficar por casa dela que sempre são mais bocas a comer;
- Acondicionar as coisas em sacos hermeticamente fechados ... item a pôr sem falta na próxima lista de compras;
- Gerir melhor a disposição dos alimentos por prazo de validade e garantir vistorias mais sistemáticas.

Em casa dos meus pais raramente haviam desperdícios, aliás fruto desta educação, ainda hoje tenho por costume deixar o prato sem quaisquer restos no final de uma refeição pelo que esta estragação foi para mim um drama.


Por outro lado, resultado da minha profissão e também de vivências da minha vida pessoal, tenho conhecimento de muitas empresas de diversos ramos que sistematicamente realizam abates de inventário de coisas que estão em perfeitas condições só com pequenos "handicaps" que não comprometem de forma alguma o bom estado ou segurança do produto... Prefiro não me comprometer citando exemplos claros mas só para dar ideia do que digo: só por se ter mudado um logótipo ou criado uma embalagem com novas cores, há stocks dentro da validade que vão em quantidades massivas para destruição; só por alguém ter descolado um pack de 4 e só levado uma embalgem (ainda que tendo pago também os restantes sem se aperceber), os outros 3 vão para quebra e entenda-se destruição; só porque durante o transporte ou armazenamento algumas embalagens ficaram ligeiramente amachucadas ainda que nada tenha acontecido ao contéudo, vai também para o lixo...

Assisto a isto todos os meses e acreditem há coisas que corta o coração até por saber que iam fazer bebés e crianças tão felizes. Por tudo isto me sinto tão revoltada com estas normas da ASAE ou com politiquices de multinacionais que preferem deitar para o caixote ao invés de ajudar tanta gente que passa necessidades.

E depois cruzo-me frequentemente com peditórios à porta dos hipermercados a pedir ajuda à calejada e necessitada classe média, quando era tão simples e massivamente mais eficaz pedir ás empresas que colaborassem com a responsabilidade social que tanto apregoam mas não cumprem na prática...

Desculpem este testamento mas ao descongelar a arca enquanto partia a colher de pau ao tentar quebrar o gelo, descarreguei esta revolta e lembrei-me daqui a publicar...

domingo, 1 de março de 2009

Na perspectiva de uma criança

Li hoje noutro blog este texto lindo que apesar de contar uma história triste é lindo e grandioso pela mensagem que passa.

Tive duas situações na minha infância em que pensei que ia morrer: um quase afogamento na praia e outra na consequência de um grave quadro clínico de deficiência imunitária e anemia extrema.


Em ambas as situações o que mais me afligiu e tocou foi sempre o sofrimento e angustia dos meus pais e nem tanto o pensar no fim da minha vida e existência.

Soube anos mais tarde que o nascimento do meu irmão foi em parte para tentar que houvesse uma possibilidade de doador compatível de medula óssea se o meu caso acabasse por se tornar numa leucemia ... A minha mãe que após anos de tratamentos para voltar a engravidar nunca tinha tido sucesso, finalmente alcançou essa bênção, ainda que por outro lado vivesse simultaneamente um drama e chorasse ás escondidas quando os médicos lhe davam a entender o pior para o meu caso. Tocou-me muito ver a minha mãe a chorar compulsivamente enquanto as enfermeiras me levavam para outra sala cheia de brinquedos, porque até aquele dia nunca a tinha visto derramar uma lágrima sequer... tinha 8 anos mas entendia muito mais do que os adultos pensavam!!

A minha história felizmente teve um final feliz (não sei ainda se por se ter recorrido em simultaneo à medicina alternativa) mas tenho a certeza que foi a responsável por me ter tornado adulta muito precocemente e ter uma atitude muito protectora e paternalista relativamente aos meus pais.


Uma vez disse pelo telefone a uma chata vendora de time-sharing (daqueles telefonemas insistentes e estúpidos a dizer que ganhámos uma vivenda em Cascais e que nos bastava ir levantar o prémio não sei onde), que desistisse e que não valia a pena ligar mais tarde porque os meus pais eram pessoas ocupadas, que trabalhavam muito e que tinham mais coisas com que se preocupar ... ao que ela me respondeu: "Mas afinal quem é que é a filha? Nunca vi uma criança que fosse tão protectora em relação aos pais"!! Enfim lá ficou sensibilizada e me desamaparou a loja. :-)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A idade não me traz melhoras

Tive hoje uma curta entrevista com um dos tais Espanhóis. Perante tantos concelhos do que devia perguntar e o que devia ou não fazer... cheguei lá com uma pilha de nervos que acho que me enrolei toda, saiu tudo ao contrário e não disse nada do que devia!!!
E sabem da melhor? O pior nem é não ter corrido espectacularmente bem como desejava, o pior mesmo agora é ficar a martelar nisso nos próximos dias ... Onde é que se arranjam cérebros normais para transplante???

Para onde foi aquela naturalidade que tinha quando andava na faculdade para apresentar trabalhos fazer defesas de nota e por aí fora???

Definitivamente não sou como o Vinho do Porto!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Esperança ao fundo do túnel ou doce ilusão???

Parece que quando nos cercamos de pessoas amigas e impomos algum distanciamento aos pensamentos negativos, algo de bom acontece sem esperarmos.

Depois de um magnifico fim de semana prolongado voltei hoje ao trabalho e o meu actual (ainda que por pouco tempo) chefe, agradeceu-me na frente de todo o departamento a minha capacidade de esforço e o ter encontrado a chave para resolver um problema até aqui sem solução. Pode ser que não se concretize mas há a hipótese em jogo de poder voltar a fazer parte dos quadros da empresa ... Contudo, no reverso da medalha se essa hipótese não se concretizar há o despedimento na certa.

Há ainda por detrás de tudo, uma escolha minha em jogo (mas que não é tanto minha assim) e há um de dois caminhos a seguir ... só espero que escolha o certo e não é tanto por mim é pelo Miguel e pelo nosso futuro que neste contexto actual é algo que tanto me preocupa...

Confesso pode ser virtude ou defeito mas penso muito no "ontem" e sobretudo no "amanhã" mais do que no "hoje"... por isso me identifiquei tanto com este texto e também pela mesma razão me custa tanto entender a forma de pensar de muitas pessoas. Não sei se é intrínseco ou se é fruto de uma educação muito conservadora que tive mas não consigo desligar o cérebro (ainda que por muitas vezes o desejasse profunda e intensamente conseguir fazer).

Neste caso não está tudo nas mãos de Deus como reza o ditado mas antes nas mãos dos Espanhóis... No final do ano se saberá o que 2010 me (nos) reserva!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Pensando Alto

Nunca pensei em ser arquitecta ou seguir qualquer carreira ligada a essa área mas gosto imenso de contemplar casas... faço-o silenciosamente com um prazer enorme quando sigo de carro em viagens grandes como a de hoje.

Quando vejo uma enorme mansão ou uma humilde casinha isoladas num monte no meio do nada, questiono-me sempre como é possível alguém viver tão longe de tudo e de todos e depois pergunto-me se eu seria capaz de ali viver e ser feliz e invariavelmente chego à conclusão que sim: eu não preciso de muito para ser feliz se tiver o indispensável, me sentir segura e se quem viver à minha volta me amar e for também feliz.


Há uns anos quando terminei o curso na faculdade não pensava assim mas oito anos passados tanta coisa mudou ou tanto me fizeram mudar que sou uma pessoa muito menos ambiciosa e que dá muito mais valor ao pouco mas tão valioso que a vida me permitiu conquistar: o meu cantinho e a minha familia.


E pensar que quando começei a trabalhar era para mim um quebra cabeças ponderar entre deixar um emprego ou ir para longe viver um amor ... Bem ainda bem que não fui porque assim vivo um outro amor bem maior :-)